Melasma tem cura? A resposta direta

Melasma não tem cura definitiva, mas tem controle. Com tratamento bem feito e proteção solar diária, as manchas costumam clarear bastante e podem ficar pouco visíveis por muito tempo. O que não existe é um tratamento que elimine a tendência da pele a fazer melasma: se a proteção e a manutenção forem abandonadas, as manchas tendem a voltar.

Começo por essa resposta porque ela muda a forma de encarar o tratamento, e vale para quem me procura no Funcionários, em Belo Horizonte, ou em qualquer lugar. Quem espera uma cura em poucas sessões se frustra. Quem entende que melasma tem cura no sentido de “controle”, e não de “nunca mais”, costuma ter resultados bem melhores e mais estáveis.

O que é melasma

Melasma é uma mancha escura, acastanhada, que aparece principalmente no rosto. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, as áreas mais comuns são as maçãs do rosto, a testa, o nariz e o buço, e as manchas costumam ser simétricas, iguais dos dois lados. Às vezes também aparece no pescoço, no colo e nos braços.

A mancha não dói, não coça e não é perigosa. Mas incomoda muito: é visível, aparece justamente no rosto e piora com facilidade, o que faz muita gente se sentir refém do espelho e do protetor solar.

O que causa o melasma

Não há uma causa única. O melasma é o resultado de uma pele com predisposição (genética) que recebe estímulos que mandam produzir mais pigmento. Os principais são:

  • Sol: a radiação ultravioleta é o principal gatilho.
  • Luz visível: a SBD lembra que até a luz visível escurece o melasma. É por isso que ele piora em quem passa o dia perto de janela ou dirigindo.
  • Hormônios: gravidez e anticoncepcional hormonal são desencadeantes clássicos, e por isso o melasma é bem mais comum em mulheres, embora também apareça em homens.
  • Calor: muita gente percebe piora depois de cozinhar, fazer exercício intenso ou passar o dia em ambiente quente.
  • Outros fatores: o Manual MSD cita ainda doenças autoimunes da tireoide e alguns remédios que deixam a pele mais sensível à luz, entre eles certos anticonvulsivantes.

Em Belo Horizonte o sol é forte o ano todo, inclusive no inverno seco, quando o céu fica limpo e a gente relaxa no protetor. É uma cidade em que o melasma tem muitos motivos para aparecer e para voltar.

Tipos de melasma

O melasma costuma ser classificado de duas formas. Pela localização no rosto, ele pode ser centrofacial (testa, nariz, buço e queixo), malar (maçãs do rosto) ou mandibular (ao longo da mandíbula).

Pela profundidade do pigmento na pele, pode ser epidérmico (mais superficial), dérmico (mais profundo) ou misto. Essa segunda classificação importa porque o pigmento superficial responde melhor aos cremes, enquanto o mais profundo tende a ser mais teimoso. O Manual MSD observa justamente que os tratamentos aplicados na pele funcionam melhor quando o pigmento está nas camadas superiores.

Como saber se a mancha é mesmo melasma

Nem toda mancha escura no rosto é melasma. As mais confundidas são:

  • Manchas pós-inflamatórias: as marcas que espinhas, machucados ou depilação deixam.
  • Manchas solares (melanoses): as “manchas de idade”, pequenas e bem delimitadas, nas áreas de mais sol.
  • Manchas causadas por cosméticos ou perfumes em contato com o sol.

O diagnóstico é feito no exame da pele, às vezes com a ajuda de luz especial e dermatoscopia. Isso importa porque o tratamento de uma mancha pode piorar outra: a SBD alerta que tratamentos ou procedimentos inadequados podem agravar o melasma. E uma mancha escura que cresce, muda de cor ou aparece só de um lado não tem jeito de melasma e pede outro tipo de avaliação, que explico no texto sobre como saber se uma pinta é maligna.

Por que o melasma não tem cura, mas tem controle

A cura definitiva não existe porque a causa de fundo, a tendência da pele a produzir pigmento demais diante do sol, da luz e dos hormônios, não desaparece com o tratamento. O que o tratamento faz é clarear o pigmento que já está lá e reduzir os estímulos que fazem a pele produzir mais.

Por isso a SBD descreve o tratamento do melasma como um conjunto de medidas para clarear, estabilizar e impedir que o pigmento volte, e afirma que quem tem melasma precisa de tratamento e fotoproteção constantes. O Hospital Israelita Albert Einstein resume da mesma forma: melasma não tem cura, é benigno e pode ser amenizado.

Na prática, “controle” quer dizer:

  • manchas mais claras e mais uniformes, muitas vezes difíceis de notar;
  • menos pioras, e pioras mais leves quando acontecem;
  • uma rotina de manutenção que você consegue seguir sem sofrimento.

Tratamento do melasma: o que existe para clarear

O tratamento é sempre individual e combina etapas. Nenhuma delas funciona sozinha por muito tempo.

Fotoproteção, a base de tudo

Sem proteção solar bem feita, nenhum creme ou procedimento se sustenta. Para melasma, não basta qualquer protetor: a SBD recomenda filtro com proteção UVA e UVB, FPS alto e, como a luz visível também escurece a mancha, associar filtros físicos, como os protetores com cor. Reaplicar ao longo do dia, usar chapéu e boné e evitar o sol direto completam o cuidado.

Jovem de chapéu de palha com a luz do sol passando pela aba e iluminando parte do rosto

Cremes clareadores

São o segundo pilar. Existem vários ativos clareadores, e a escolha depende do tipo de pele, da sensibilidade, de gravidez ou amamentação e do que já foi usado antes. Segundo a SBD, os resultados dos cremes costumam começar a aparecer em cerca de dois meses, e estabilizar a pele pode levar muitos meses.

Um alerta importante: alguns clareadores só devem ser usados com acompanhamento médico. O Manual MSD lembra que o uso prolongado de certos ativos sem orientação pode causar uma pigmentação permanente, o oposto do que se busca. Por isso desaconselho fórmulas de internet ou “receitas” de amigas.

Medicação oral, peelings e outros procedimentos

Em alguns casos entra uma medicação oral, sempre depois de avaliar a saúde geral e as contraindicações. Peelings químicos podem ajudar como complemento, em épocas de menos sol e com a pele preparada. Lasers e luzes também são citados pela SBD, mas exigem muito cuidado, porque no melasma podem estimular mais pigmento.

Procedimento nenhum cura o melasma. Eles podem acelerar o clareamento, mas o que mantém o resultado é a rotina de casa. Explico como monto esse plano, etapa por etapa, na página de tratamento de melasma em BH.

A manutenção: o que fazer depois que a mancha clareia

Quando a mancha clareia, o tratamento muda de fase, mas não termina. A manutenção costuma incluir:

  1. protetor solar diário, com cor, o ano inteiro;
  2. um clareador mais suave, em uso contínuo ou em alguns dias da semana;
  3. reforço da proteção em férias, viagens à praia e no verão;
  4. retornos periódicos para ajustar a rotina antes que uma piora se instale.

Gravidez, troca de anticoncepcional e temporadas de muito sol são momentos de atenção. Avisar o dermatologista nessas fases ajuda a evitar que o melasma volte com força. Essas mesmas mudanças, como o pós-parto e a troca de anticoncepcional, também podem aumentar a queda de cabelo; se você notar mais fios no travesseiro nessas fases, entenda o que pode estar por trás da queda de cabelo antes de comprar qualquer tônico.

Quando procurar um dermatologista

Vale marcar uma consulta quando a mancha:

  • apareceu ou piorou na gravidez ou depois de começar um anticoncepcional;
  • não clareia com os produtos que você já usou por conta própria;
  • clareou e voltou várias vezes;
  • deixa dúvida se é mesmo melasma ou outro tipo de mancha.

Atendo pacientes de toda a região Centro-Sul de BH, como Savassi, Lourdes e Serra, no consultório da Av. do Contorno, no Funcionários, de segunda a quinta-feira. Se você quer entender o que dá para esperar no seu caso, ligue para (31) 3227-1098 ou veja como agendar na página de contato.