Queda de cabelo: o que pode ser, em poucas linhas

Queda de cabelo pode ser muita coisa: uma reação passageira a febre, cirurgia, parto ou estresse forte; calvície de origem genética, em homens e mulheres; alopecia areata; problemas de tireoide, anemia ou falta de nutrientes; efeito de remédios; doenças do couro cabeludo; ou dano por penteados e química. Cada causa tem um tratamento diferente, e algumas nem precisam de tratamento. Por isso a pergunta “o que pode ser?” vem antes de qualquer tônico ou vitamina.

Neste texto explico, como dermatologista em Belo Horizonte, como diferenciar a queda normal da que merece investigação, quais são as causas mais comuns e o que acontece na consulta.

Quanto cabelo cair por dia é normal

Todo fio de cabelo vive em ciclos. Segundo o Manual MSD, a fase de crescimento dura de dois a seis anos, seguida de uma fase curta de transição e de uma fase de repouso de dois a três meses, ao fim da qual o fio cai e um novo começa a nascer. Por isso perder cerca de 50 a 100 fios por dia é normal.

Ninguém precisa contar fios. Os sinais mais úteis de que a queda saiu do normal são:

  • o ralo do banho ou a escova enchem bem mais do que antes, por semanas;
  • o rabo de cavalo ficou mais fino;
  • o couro cabeludo aparece mais, no topo da cabeça, na risca ou nas entradas;
  • surgiram falhas arredondadas, sem cabelo, na cabeça ou na barba.

As causas mais comuns da queda de cabelo

Para organizar, divido as causas em dois grupos: a queda que espalha pela cabeça toda e a que abre falhas ou afina uma região específica.

Eflúvio telógeno: a queda depois de um susto no corpo

É uma das causas mais frequentes de queda intensa e difusa. Febre alta, cirurgia, doença grave, perda de peso rápida, dieta muito restritiva e o pós-parto fazem muitos fios entrarem na fase de repouso ao mesmo tempo. Eles caem juntos, em geral alguns meses depois do evento, o que confunde: a pessoa já se recuperou e só então o cabelo começa a cair.

O Manual MSD descreve esse tipo de queda como tendendo a ser transitória. Quando o gatilho passou, o ciclo volta ao normal e o cabelo se recupera com o tempo. A investigação serve para confirmar que é isso e que não há outra causa somada.

Calvície genética (alopecia androgenética), em homens e mulheres

A Sociedade Brasileira de Dermatologia define a alopecia androgenética como uma queda de cabelos geneticamente determinada, que começa na adolescência mas costuma ficar aparente mais tarde. Nela, a cada ciclo, os fios nascem mais finos.

O padrão muda entre os sexos:

  • Nos homens, as entradas e o alto da cabeça (a coroa) abrem primeiro.
  • Nas mulheres, o cabelo afina no topo, a risca do meio alarga, e a linha da frente costuma ser preservada.

Apesar do nome, na maioria das vezes os exames de hormônio vêm normais, segundo a SBD. A calvície genética não tem cura, mas o tratamento busca estacionar o processo e recuperar parte do que foi perdido. Como os fios afinam aos poucos, começar cedo faz diferença.

Alterações hormonais, tireoide e SOP

Hipotireoidismo e hipertireoidismo podem causar queda difusa. Nas mulheres, a síndrome dos ovários policísticos (SOP) é a causa mais comum de excesso de hormônios masculinos, segundo o Manual MSD, e pode se manifestar com afinamento no topo da cabeça, acne e aumento de pelos no rosto e no corpo. Menopausa e mudanças de anticoncepcional também entram na conta. Se nessas mesmas fases surgirem manchas escuras na testa ou nas maçãs do rosto, pode ser melasma, e explico como ele é controlado no texto sobre se o melasma tem cura.

Anemia, vitaminas e alimentação

Falta de ferro e de alguns nutrientes pode enfraquecer os fios, e dietas muito restritivas ou cirurgia bariátrica aumentam esse risco. Ainda assim, o Manual MSD lembra que os distúrbios nutricionais são uma causa menos comum de queda do que se imagina. Suplemento de vitamina sem exame que mostre a falta raramente resolve e pode atrasar o diagnóstico da causa real.

Estresse

O estresse emocional intenso e prolongado pode, sim, provocar eflúvio telógeno. Mas o estresse do dia a dia, sozinho, raramente explica uma queda importante. Quando a queda aparece num período difícil, vale investigar se há outra causa junto em vez de culpar só a ansiedade.

Remédios

Vários medicamentos podem desencadear queda. O Manual MSD cita, entre outros, anticoagulantes e remédios para pressão alta, acne, tireoide e convulsões, além da quimioterapia. Não suspenda nenhum remédio por conta própria: leve a lista para a consulta, porque às vezes há alternativa e às vezes a queda nem tem relação com ele.

Alopecia areata e outras doenças autoimunes

A alopecia areata, conhecida como “pelada”, abre falhas arredondadas e lisas, de um dia para o outro, no couro cabeludo ou na barba. A SBD explica que ela é uma doença inflamatória com participação autoimune, não é contagiosa e não destrói o folículo, por isso o cabelo pode voltar a crescer, embora novos surtos possam acontecer. Pode vir junto com outras doenças autoimunes, como vitiligo e problemas de tireoide.

Doenças do couro cabeludo

Dermatite seborreica (a caspa com vermelhidão e coceira), psoríase do couro cabeludo e micoses podem inflamar a pele e piorar a queda. A tinha do couro cabeludo, uma micose, é uma causa comum de falhas em crianças. Tratar o couro cabeludo é parte do tratamento do cabelo, e quando a dermatite ou a psoríase também aparecem no rosto ou no corpo, o cuidado segue na consulta de dermatologia clínica.

Penteados apertados e química: a alopecia de tração

Tranças, coques e rabos de cavalo muito apertados, usados com frequência, puxam os fios e podem lesar o folículo, sobretudo nas têmporas e na linha da testa. Alisamentos, descolorações e o calor de chapinha e secador quebram o fio. No começo, mudar o hábito costuma bastar; com anos de tração, a perda pode ficar permanente.

Quando procurar o dermatologista

O cabelo, as unhas e o couro cabeludo são parte da pele, e por isso o dermatologista é o médico indicado para investigar queda de cabelo. Procure avaliação quando:

  • a queda dura mais de três meses;
  • aparecem falhas arredondadas ou áreas sem cabelo;
  • o couro cabeludo está cada vez mais visível;
  • há coceira, descamação, dor ou feridas no couro cabeludo;
  • a queda vem com outros sinais, como cansaço, irregularidade menstrual, acne ou aumento de pelos.

Mão segurando um tufo de fios de cabelo caídos ao lado de um pente

O que é investigado na consulta

Na consulta, pergunto quando a queda começou, se foi de repente ou aos poucos, o que aconteceu nos meses anteriores (doença, cirurgia, parto, dieta, remédio novo, fase de muito estresse) e se há casos de calvície na família. Depois examino o couro cabeludo e os fios, com dermatoscopia quando ajuda, e, se for o caso, também as unhas e a pele.

Os exames de sangue são pedidos quando a história ou o exame indicam, para olhar ferro, tireoide, hormônios e outros pontos. Com a causa definida, o tratamento é montado para ela. Explico o que entra nesse cuidado, inclusive para caspa e unhas, na página de tratamento de queda de cabelo em BH.

Tratamento: depende da causa

Não existe um tratamento único para queda de cabelo, e é por isso que o produto que funcionou para um amigo pode não funcionar para você. Em linhas gerais:

  1. Eflúvio telógeno: identificar e afastar o gatilho; em geral o cabelo se recupera com o tempo.
  2. Calvície genética: tratamento contínuo, com medicamentos tópicos e orais escolhidos caso a caso, para desacelerar o afinamento.
  3. Alopecia areata: tratamento da inflamação no couro cabeludo, com acompanhamento dos surtos.
  4. Causas hormonais ou nutricionais: corrigir o problema de base, às vezes junto com outro médico, como o endocrinologista.
  5. Doenças do couro cabeludo: tratar a dermatite, a psoríase ou a micose.

Os resultados no cabelo são lentos, porque dependem do ciclo do fio. Por isso é importante combinar um prazo realista antes de avaliar se o tratamento está funcionando.

Quer descobrir a causa da sua queda?

Se o seu cabelo está caindo mais do que o normal há algumas semanas, ou se surgiram falhas, vale avaliar antes de gastar com produtos. Atendo no consultório da Av. do Contorno, no Funcionários, perto da Savassi e de Lourdes, de segunda a quinta-feira, e recebo pacientes de toda Belo Horizonte e da região metropolitana. Ligue para (31) 3227-1098 ou veja os detalhes na página de contato para marcar a sua consulta.