Queda de cabelo pós-parto: é normal?

Na maioria das vezes, sim. A queda de cabelo pós-parto é uma queda intensa e espalhada pela cabeça que começa alguns meses depois do nascimento do bebê, assusta pela quantidade de fios no ralo e na escova, e costuma passar sozinha. O nome médico é eflúvio telógeno, e o cabelo volta a crescer quando o ciclo dos fios se normaliza.

Isso não quer dizer que toda queda depois do parto seja só isso. Como dermatologista em Belo Horizonte, atendo muitas mães que estão nessa fase, e parte delas tem outra causa somada, como anemia ou alteração da tireoide, que precisa ser tratada. Abaixo explico por que a queda acontece, quanto tempo dura, o que ajuda e quando vale investigar.

Por que acontece a queda de cabelo no pós-parto

Todo fio de cabelo passa por uma fase de crescimento, uma de transição e uma de repouso, ao fim da qual cai e dá lugar a um fio novo. Em condições normais, cada fio está numa fase diferente, e a queda diária é pequena e constante.

Na gravidez, as mudanças hormonais mantêm mais fios na fase de crescimento por mais tempo. Por isso muitas mulheres sentem o cabelo mais cheio e caindo menos durante a gestação. Depois do parto, esses hormônios caem de repente, e um grande número de fios entra na fase de repouso ao mesmo tempo. Alguns meses depois, todos eles caem juntos.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia inclui o pós-parto entre os eventos mais associados ao eflúvio telógeno, ao lado de febre alta, infecções, cirurgias, dietas muito restritivas e estresse importante. Noites mal dormidas, a perda de sangue no parto e a alimentação desorganizada dos primeiros meses podem somar ao quadro.

Quando começa a queda

A queda não começa logo depois do parto, e é isso que confunde. A SBD explica que, no eflúvio telógeno, a causa está ligada a um evento que aconteceu cerca de três meses antes do início da queda, porque esse é o tempo que o fio leva entre entrar em repouso e cair.

Na prática, muitas mães notam a queda quando o bebê está com dois a quatro meses, numa fase em que o parto já parece distante. Não é raro a mulher associar a queda à amamentação, ao cansaço ou a um shampoo novo, quando o gatilho foi o próprio parto.

Quantos fios caem e como reconhecer

Ninguém precisa contar fios. Segundo a SBD, no eflúvio telógeno a pessoa pode passar a perder o dobro ou mais do que perdia antes. Os sinais mais comuns são:

  • tufos de fios no ralo do chuveiro, na escova e no travesseiro;
  • fios caindo ao passar a mão pelo cabelo;
  • rabo de cavalo mais fino;
  • entradas e têmporas mais ralas, às vezes com fios curtos nascendo depois.

O que não costuma fazer parte da queda de cabelo pós-parto são falhas arredondadas e lisas, couro cabeludo vermelho, com coceira ou feridas, ou um afinamento que se concentra só no topo da cabeça. Esses sinais apontam para outras causas, e valem consulta.

Mão segurando um pente laranja com um chumaço de fios de cabelo caídos preso nos dentes

Quanto tempo dura a queda de cabelo pós-parto

A SBD descreve o eflúvio telógeno como uma queda com duração predeterminada de dois a quatro meses, caso não haja outra doença associada. Em outro texto sobre queda de cabelo em mulheres, a SBD afirma que, quando a causa é corrigida, o distúrbio em geral se resolve espontaneamente ou em até seis meses.

Depois que a queda para, o cabelo ainda precisa de tempo para recuperar o volume, porque cresce devagar. É comum aparecer uma “franjinha” de fios novos e curtos na linha da testa, sinal de que o ciclo voltou ao normal.

E quando a queda passa de seis meses ou chega perto de um ano?

Queda que continua forte depois de seis meses, ou que ainda incomoda quase um ano depois do parto, merece investigação. Pode haver outra causa mantendo o problema, como anemia, alteração da tireoide ou uma calvície de padrão feminino que já existia e ficou evidente com a queda. Explico as principais causas no texto queda de cabelo: o que pode ser.

Amamentação piora a queda?

A amamentação não é a causa da queda de cabelo pós-parto, que acontece também em quem não amamenta. O que a amamentação pode fazer é aumentar a demanda de nutrientes, e uma alimentação pobre nessa fase pode contribuir para a queda.

Ela pesa, sim, na escolha do tratamento. Alguns remédios usados para queda de cabelo não são indicados para quem está amamentando, e por isso nada deve ser usado sem orientação, nem cápsula, nem loção de farmácia.

O que fazer para melhorar a queda de cabelo pós-parto

A SBD é clara: não há prevenção para o eflúvio telógeno, e não há um tratamento específico, embora algumas medicações que estimulam o crescimento possam ser associadas. Na maioria dos casos, o trabalho é cuidar do corpo e do couro cabeludo enquanto o ciclo se normaliza.

Alimentação

Comer bem é parte do tratamento, principalmente se você amamenta. Proteínas, ferro e uma dieta variada dão base para o fio novo. Evite dietas muito restritivas para “perder a barriga” nos primeiros meses, porque elas também podem provocar queda.

Exames quando há sinais de outra causa

O Manual MSD lembra que a deficiência de ferro e os problemas de tireoide também causam queda de cabelo, e cita os exames de sangue para avaliar anemia, ferro e função da tireoide. No pós-parto, essas duas causas merecem atenção especial. Os exames são pedidos de acordo com a história e o exame do couro cabeludo, não de forma automática.

Química e penteados

Nesta fase, dê uma trégua ao cabelo:

  • evite alisamentos, descolorações e outras químicas fortes;
  • use secador e chapinha em temperatura baixa, ou dispense;
  • prefira penteados soltos, sem rabos de cavalo e coques muito apertados, que puxam os fios da frente;
  • lave o cabelo normalmente: lavar não aumenta a queda, só mostra os fios que já iam cair.

Cuidado com promessas

Tônicos, cápsulas e vitaminas que prometem “parar a queda” em poucas semanas não mudam o ciclo do fio. Suplemento sem deficiência comprovada raramente ajuda, e alguns não são indicados na amamentação.

Quando procurar o dermatologista

A SBD orienta procurar um médico quando o cabelo fica todo mais ralo, quando caem tufos ou quando surge afinamento na risca. No pós-parto, vale marcar consulta se:

  • a queda continua forte depois de seis meses;
  • surgiram falhas sem cabelo;
  • há coceira, descamação ou dor no couro cabeludo;
  • a queda vem com cansaço intenso, palpitação ou outros sintomas;
  • você quer usar algum tratamento e está amamentando.

Na consulta, examino o couro cabeludo e os fios, com dermatoscopia quando ajuda, e investigo se há outra causa além do pós-parto. Explico o que entra nesse cuidado na página de tratamento de queda de cabelo em BH. E se, além do cabelo, a gravidez deixou manchas no rosto, veja o que é seguro fazer no texto sobre melasma na gravidez.

Atendo mães de toda Belo Horizonte e da região metropolitana no consultório da Av. do Contorno, no Funcionários, perto da Savassi e de Lourdes, de segunda a quinta-feira. Chame no WhatsApp (31) 99161-2681 ou veja como agendar na página de contato.